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Julho/Agosto 2007

Bimestre registra aumento de emissões e negociações no secundário

A instabilidade internacional, originada na crise dos títulos das hipotecas americanas de alto risco, e acentuada pelo aumento da possibilidade de contágio do mercado de crédito mundial, provocou, internamente, desvalorização nas Bolsas e elevação das taxas de câmbio e dos juros futuros. Esta última contribuiu, inclusive, para que o Tesouro Nacional desistisse de efetuar alguns lançamentos previstos de títulos públicos. O mercado de títulos de dívida privada, porém, reagiu melhor ao cenário de volatilidade.

Dados da CVM - Comissão de Valores Mobiliários mostram que os registros de ofertas de debêntures cresceram de forma expressiva ao longo do bimestre em comparação com períodos anteriores, tendo atingido, até o fim de agosto, R$ 29 bilhões, dos quais R$ 24,2 bilhões somente no mês de julho. Além disso, dos R$ 6,2 bilhões em ofertas primárias e secundárias de todos os valores mobiliários em processo de análise para ir a mercado - o total registrado na Autarquia no ano alcança R$ 103,6 bilhões -, mais da metade (R$ 3,4 bilhões) refere-se a emissões de debêntures.

Vale destacar que parte deste comportamento deve ser atribuída ao retorno das emissões de empresas de leasing: do volume emitido em julho, R$ 20,1 bilhões foram captados por quatro companhias do setor. Como base de comparação, do início do ano até junho, havia sido captado apenas R$ 1 bilhão, por uma única empresa de leasing.

Ainda como conseqüência da volatilidade dos indicadores financeiros, a análise dos dados referentes às negociações do mercado secundário de debêntures no SND revela que o volume de negócios também se acentuou nos meses de julho e agosto, como possível efeito do comportamento dos investidores e gestores de fundos de investimento. Esse aumento, especialmente o verificado em julho, contribuiu para elevar a média mensal de negócios em 2007 para R$ 2,5 bilhões, ante R$ 1,2 bilhões em 2006. Há que se ressaltar, entretanto, que os volumes diários de negociação com debêntures geralmente apresentam significativa volatilidade, e que, no período analisado, nos dias em que se observaram volumes mais elevados, houve influência de negociações pontuais de determinados ativos.

Também mereceu destaque no bimestre a emissão do BNDESPar, no montante de R$ 1,35 bilhão (75% depositados no SND), que novamente direcionou esforços para distribuir suas debêntures ao público de varejo. A rentabilidade dos papéis, parte atrelada ao IPCA e parte com taxas prefixadas, é um forte indicador de avanço das condições de mercado. Na avaliação do chefe do Departamento de Captação de Recursos do BNDES, Carlos Lagrota, a emissão, assim como a anterior, foi bem-sucedida: "Além de utilizar mais uma vez o IPCA como indexador de uma das séries, a BNDESPar foi a primeira emissora a lançar debêntures com juros prefixados. Neste sentido, estamos cumprindo nosso papel de contribuir para o desenvolvimento do mercado de capitais".


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