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Setembro/Outubro 2007

Mercado de valores mobiliários doméstico tem novo recorde

Os registros na CVM - Comissão de Valores Mobiliários atingiram novo patamar histórico para o mercado de capitais brasileiro, fechando o mês de outubro com R$ 138,6 bilhões de ofertas, 11% acima do recorde do ano passado. A superação do volume de registros anual pelo quarto ano consecutivo demonstra a força do segmento, que já pode ser considerado o principal meio de financiamento das empresas. Esse crescimento expressivo deve-se, principalmente, ao bom desempenho das ofertas de ações (38,5%), debêntures (29%) e FIP - Fundos de Investimento em Participação (11,8%).

Dentre as ofertas primárias, as emissões de debêntures detiveram a maior participação, com R$ 40,3 bilhões e outros R$ 7,3 bilhões em análise na Autarquia. No bimestre, foram registrados no SND - Sistema Nacional de Debêntures R$ 15,9 bilhões, referentes a dez emissores, com destaque para os setores de leasing (75,3%) e energia elétrica (10,7%).

O volume no mercado secundário de debêntures praticamente dobrou ante o verificado no mesmo período do ano passado - R$ 23 bilhões negociados até outubro -, refletindo o crescimento do estoque do SND, que fechou outubro em R$ 197 bilhões. Tal aumento, porém, não indica uma melhora na liquidez desse mercado, uma vez que a relação entre volume negociado e estoque médio registrada nos últimos 12 meses, de 15,8%, supera por estreita margem a observada no ano passado, de 14,3%.

O bom momento do mercado doméstico pode ser atribuído às condições macroeconômicas favoráveis e às expectativas otimistas dos agentes em horizontes de longo prazo - inclusive quanto à elevação da classificação de risco brasileiro para grau de investimento. Neste sentido, a manutenção da Taxa SELIC pelo Banco Central parece ter sido bem assimilada pelo mercado, que percebeu a estratégia da Autoridade Monetária como sendo uma decorrência da recente instabilidade internacional e do forte aquecimento da demanda interna.

No campo regulatório, cabe destacar a edição da Instrução CVM nº 461 - resultado de recente audiência pública -, que modernizou o aparato para os mercados de Bolsas de Valores, Mercadorias e Futuros e de balcão organizado, buscando definir os critérios necessários à organização de estruturas mínimas de governança e de auto-regulação compatíveis com o atual movimento de desmutualização dessas entidades.


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