Bimestre registra volume reduzido de emissões
O segundo bimestre de 2008 apresentou número bastante reduzido de emissões de debêntures, em um cenário de elevação da taxa básica de juros doméstica em 0,5 ponto percentual, como resposta às pressões inflacionárias captadas desde o início do ano pelos índices de preços. O movimento do Banco Central apenas referendou uma tendência já observada nas curvas de juros, implicando um encarecimento das novas emissões, vis-à-vis os custos de captação vigentes até o final do ano passado. Assim, em março, não houve nenhum registro na CVM; em abril, apenas R$ 350 milhões desses títulos foram distribuídos publicamente, referentes a três emissões.
Um dos possíveis motivos apontados por analistas para a queda do volume foi a desaceleração das emissões de companhias de arrendamento mercantil (leasing). Ao que tudo indica, as decisões de desistência e cancelamento de emissões deveram-se às modificações instituídas pela Circular nº 3.375 do Banco Central, de 31 de janeiro de 2008, que estabeleceu alíquotas crescentes de depósitos compulsórios para as operações realizadas entre as empresas de leasing e a tesouraria dos bancos - o que aparentemente veio a desincentivar as captações por meio das debêntures em comparação com outros instrumentos financeiros. Cabe ressaltar, neste sentido, o aumento observado nas captações de CDB nos últimos meses (veja em Estatísticas do SND).
Nos últimos dias do bimestre, porém, uma nova emissão da BFB Leasing Arrendamento Mercantil, no montante de R$ 20 bilhões - o maior já registrado por uma empresa de leasing até o momento -, entrou em processo de análise na CVM, como parte de um programa de distribuição de R$ 50 bilhões.
Apesar dos reduzidos números do bimestre, as debêntures ainda figuram como o destaque do ano entre os demais valores mobiliários emitidos - R$ 32,6 bilhões -, montante que supera, em muito, o observado no mesmo período de 2007, de aproximadamente R$ 3 bilhões. Analisando-se os números de 2008, verifica-se que a maior participação continua a pertencer às emissões das companhias de arrendamento mercantil, que representaram mais de 95% do volume total. Há que se ressaltar, entretanto, os movimentos de cancelamento ou interrupção na distribuição observados em algumas emissões.
As ofertas primárias de ações nos primeiros quatro meses do ano atingiram R$ 5,3 bilhões, e as ofertas totais de valores mobiliários, R$ 56,8 bilhões, ante R$ 138,3 bilhões em 2007.
O mesmo ocorre com relação às emissões de debêntures em processo de análise na CVM no final do bimestre, cujo valor chega a R$ 22,2 bilhões - ante R$ 25,5 bilhões de valores mobiliários -, sendo R$ 20 bilhões referentes a captação de leasing; R$ 1,6 bilhão de emissões de empresas de energia e construção civil, interrompidas a pedido do emissor, de acordo com o art. 10 da Instrução CVM nº 400; e os restantes R$ 500 milhões distribuídos entre duas empresas do ramo de construção civil e uma de mineração.