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Maio/Junho 2008

Entrevista - Regina Nunes: Grau de investimento deve reduzir custo de captação e alongar prazos

Em entrevista ao Boletim Técnico de Debêntures, a presidente da Standard and Poor’s, Regina Nunes, avalia os efeitos, sobre a economia brasileira, da elevação do país à condição de grau de investimento, e comenta o papel das agências de rating ante a crise do subprime, que atingiu o mercado de hipotecas norte-americano. “É uma oportunidade de reexaminar abordagens históricas e identificar áreas que necessitam de aprimoramento.”

Quais os principais impactos positivos decorrentes da ascensão do Brasil à categoria de grau de investimento?

A decisão da Standard & Poor’s de elevar o rating de crédito soberano do Brasil em moeda estrangeira para o grau de investimento gera vários efeitos positivos potenciais para a economia brasileira. Espera-se que, a partir dessa mudança, o perfil do investidor médio em títulos do governo, e potencialmente nos papéis do setor privado, se altere. A maioria dos investidores institucionais se impõe limites de investimento, que determinam se devem ou não, e quanto, investir em papéis na categoria de grau especulativo. Ter um rating em grau de investimento significa obter acesso a um pool de investidores muito mais amplo. Como os papéis da dívida do Brasil, tanto os do governo quanto os corporativos, provavelmente serão incluídos em um número maior de benchmarks de grau de investimento utilizados por investidores institucionais, também uma parcela maior desses investidores se sentirá compelida a deter mais papéis brasileiros.
Com o passar do tempo, isso geralmente gera um impacto positivo no custo de captação do governo, propiciando taxas de juros mais baixas, prazos mais longos e maior liquidez no mercado secundário. Para que esses benefícios se concretizem, porém, é necessário que as políticas adotadas pelo governo e o desempenho da economia sejam compatíveis com a percepção que o mercado tem de um rating em grau de investimento, de maneira a atrair mais investidores ao país. Também são esperados outros efeitos secundários, tais como a melhora do perfil internacional do Brasil, que poderá atrair mais investimentos estrangeiros diretos. Todos os fatores citados anteriormente sugerem que, ao longo do tempo, o custo de captação do setor privado brasileiro também poderá diminuir de forma consistente, com os fundamentos macroeconômicos mais fortes.

Diante da crise do subprime, que desafios se impõem às agências de rating?

Nós, na Standard & Poor’s, acreditamos que as recentes dificuldades enfrentadas pelos títulos do mercado imobiliário dos EUA ofereceram uma oportunidade a todos os participantes do mercado de securitização de reexa-minar as abordagens históricas e identificar as áreas que necessitam de maior aprimoramento. De fato, tomamos várias iniciativas para aprimorar nossas análises e processos, e continuamos buscando maneiras de aperfeiçoá-los ainda mais. Para a Standard & Poor’s, sua reputação e sua história são o cerne de seu negócio. Desta forma, no início deste ano, adotamos 27 medidas para melhorar a qualidade de nossas análises e opiniões e oferecer aos participantes do mercado mais transparência e discernimento sobre nosso processo de rating.


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