Mercado já sofre efeitos da restrição ao crédito
Os desdobramentos da crise de crédito internacional continuaram a influenciar de forma significativa o comportamento do mercado doméstico de valores mobiliários no bimestre. O agravamento da restrição de liquidez e a saída de recursos de investidores estrangeiros provocaram uma acentuada desvalorização das ações listadas na Bolsa de Valores e um aumento da volatilidade do real frente ao dólar. Entre o final de agosto e o de outubro, a cotação do dólar comercial passou de R$ 1,63 para R$ 2,12, alcançando a máxima de R$ 2,39 no dia 8 de outubro.
Embora o volume financeiro das ofertas registradas na CVM seja significativo no que toca ao acumulado em 2008 – R$ 124,8 bilhões, entre ofertas primárias e secundárias, incluindo as dispensadas de registro –, houve apenas uma oferta de ações no bimestre, no valor de R$ 448 milhões. No mercado de debêntures, no mesmo período, foram registradas duas emissões, no montante de R$ 561 milhões, e outras quatro, somando R$ 740 milhões, receberam dispensa de registro pela CVM, prática iniciada em agosto e que contempla emissões com apenas um ativo, ou seja, debêntures de lote único e indivisível. No total, naquele mês, houve cinco emissões com tais características, perfazendo o volume de R$ 750 milhões. As nove emissões ocorridas nos últimos três meses refletem, em parte, uma procura das empresas por alternativas que lhes permitam superar as condições adversas do mercado para captação de recursos, principalmente para a rolagem de dívidas.
Ainda como conseqüência deste cenário, o destaque do período ficou por conta da retomada de emissões de notas promissórias. O aumento da percepção de risco por parte dos investidores e a conseqüente elevação das taxas de remuneração exigidas têm desestimulado emissões de prazos mais longos, levando as empresas a recorrer a instrumentos de captação de prazos reduzidos (no máximo, 360 dias). No bimestre, o total captado por meio de notas foi de R$ 1,23 bilhão. No ano, apesar de ainda acumular volume inferior ao de debêntures e ao de ações, esse valor mobiliário é o único cujas emissões já apresentam, até outubro, crescimento expressivo em comparação com o montante observado em 2007: 76,7%.
Se, por um lado, se verifica tendência decrescente nas emissões primárias, por outro, no mercado secundário, a necessidade de liquidez, tanto em função do elevado volume de saques dos fundos de investimentos como da desvalorização geral dos ativos financeiros, tem levado a um aumento expressivo no número de negócios realizados com debêntures. Até outubro, o volume total foi de R$ 309 bilhões, tendo as operações definitivas registrado aumento de 110% na comparação com todo o ano de 2007, e as compromissadas, de 89%.