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O Brasil iniciou 2010 inaugurando um novo patamar de transações de fusões e aquisições. Em janeiro, mês tradicionalmente com menor número de negócios, foram anunciadas 60 operações, um recorde ante 38 no mesmo período de 2009 e 59 em janeiro de 2008, no pré-crise. Esse desempenho sinaliza que o país pode ultrapassar as 721 operações realizadas em 2007, o maior volume desde 2002, quando começou a pesquisa. Os dados estão em relatório da PricewaterhouseCoopers (PwC). Os negócios de maior destaque foram a compra de participação na Light pela Cemig, dos ativos de fertilizantes da Bunge, incluindo fatia da Fosfértil, pela Vale, do controle da Quattor pela Braskem e Petrobras, da operadora de turismo CVC pela Carlyle e da Multidia pela Rio Bravo.
Os números divulgados ontem apontam, segundo Alexandre Pierantoni, analista da PwC, um ambiente favorável a esse tipo de negócio por conta da recuperação dos mercados e aumento da liquidez da economia brasileira no pós-crise, reforçada pelo crescimento de crédito, que torna o Brasil um dos maiores mercados consumidores do mundo, o que é atraente para investidores estrangeiros. Segundo o relatório, 60% das fusões e aquisições de janeiro foram lideradas por grupos nacionais e 35% por fundos de participação ("private equity"), como as aquisições feitas pela Carlyle, CRP e Rio Bravo. "Os fundos de private equity estão muito capitalizados, algo em torno de US$ 10 bilhões", diz. Em 2009, foram 642 transações no país, um nível semelhante ao de 2008. A recuperação dos negócios começou no segundo semestre, culminando em dezembro com 77 operações. O capital nacional esteve em 64% dos negócios em 2009. Os setores que mais se movimentaram foram os de alimentos, tecnologia da informação (TI), química, petroquímica, varejo, serviços e produtos de consumo. A maioria das transações ocorreu em empresas de pequeno e médio porte.
Para 2010, Pierantoni acredita que as empresas continuarão indo às compras principalmente nos setores de produtos e serviços de consumo e de infraestrutura e atividades a eles relacionadas. "Teremos movimentos de grandes grupos nacionais se consolidando aqui e lá fora para se internacionalizar, como é o caso recente de CSN, Camargo e Votorantim disputando a Cimpor portuguesa e da Braskem comprando ativos nos EUA." Ele também acredita que as empresas brasileiras vão se unir para adquirir escala no país, formando grandes plataformas nacionais para se proteger do assédio de consolidadoras estrangeiras.
O Brasil tem espaço para formação de grandes players nacionais pela união de grupos regionais e familiares, diz Pierantoni. Essa estratégia deve acontecer em setores mais ligados ao consumidor e pulverizados, como alimentos e bebidas, educação e saúde, construção civil, higiene e limpeza. "Um cenário interno com maior participação dos bancos privados, já que esse processo foi sustentado em 2009 pelo BNDES, e um ambiente externo mais tranquilo vão estimular ainda mais os negócios.". |
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