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ETH Bioenergia prevê expansão acelerada e abertura de capital 19/02/2010

A nova empresa resultante da fusão da ETH Bioenergia, do grupo Odebrecht, com a Companhia Brasileira de Energia Renovável (Brenco) pode ainda não ser a maior empresa de bioenergia do Brasil, mas o apetite para ocupar o posto é evidente. José Carlos Grubisich, presidente da ETH, garante que a nova companhia vai avançar na mesma velocidade ou em ritmo maior do que as concorrentes para ser a líder.

Além dos projetos já em andamento, que vão resultar em uma capacidade de produção de 40 milhões de toneladas de cana em 2012, a nova empresa tem projetos de outras sete usinas no Brasil - alguns com área já plantada de cana - engavetados com a crise, mas que podem ressurgir no momento oportuno. Estes e outros planos, como o alcoolduto e projetos de produção de etanol na África, devem ser financiados pelo mercado de capitais. Desde a sua entrada na ETH, em 2008, Grubisich prepara a empresa para atingir níveis de governança e lançar ações em bolsa. Agora, a data já está fixada. "Faremos o IPO (sigla em inglês para Oferta Inicial de Ações) no final de 2011", afirmou o executivo.

No anúncio da união com a Brenco, Grubisich garantiu que apesar do empenho em fazer a integração das duas empresas, não deixa de olhar para o lado. "Nosso radar não está desligado para novas aquisições". A nova empresa, que ficará com o mesmo nome da ETH, atingirá ativos avaliados hoje em R$ 7,2 bilhões em 2012 e, até lá, receberá a injeção de R$ 3,5 bilhões, parte de capital de acionistas e a outra parcela de empréstimos, cujas linhas de crédito já estão ou liberadas ou em processo de aprovação, segundo o executivo.

Esta condição de estabilidade do novo negócio sustenta a negação por parte de Grubisich da especulação de que a Petrobras também seria sócia do negócio. Do lado da petroleira, o interesse parece óbvio para quem olha de fora. Seria uma tentativa do governo de responder à forte internacionalização representada pela entrada da anglo-holandesa Shell no negócio da Cosan, além de atender a intenção declarada de botar o pé firme na produção alcooleira pela Petrobras que, aliás, já é uma grande sócia da Braskem, o braço petroquímico da Odebrecht. "Mas não há nenhuma conversa em curso com a Petrobras. O que não significa que no futuro não possa surgir alguma negociação", diz Grubisich.

O ponto de partida pode ser o projeto do alcoolduto da empresa CentroSul Transportadora Dutoviária, empresa criada pela Brenco para implantar o duto entre Alto Taquari e o porto de Santos e que agora pertence à nova ETH. "Os estudos de pré-engenharia mostram que esse duto poderia se encontrar com o duto projetado pela Petrobras na altura da Serra do Mar. Ali poderia haver uma parceria com a Petrobras", diz Henri Philippe Reichstul, ex-presidente da Petrobras. A decisão de investir ainda não foi tomada, o que deve ser feito ao final deste após a conclusão dos estudos de engenharia e ambientais. O projeto, de 1,1 mil quilômetros de dutos, deve custar R$ 1,7 bilhão e demandar outros parceiros.

Mas o que há definido até o momento é dos R$ 3,5 bilhões que serão investidos até 2012 40% virão de recursos próprios e o restante, de financiamento bancário. A Brenco vai captar com acionistas R$ 655 milhões, dos quais R$ 275 milhões de dinheiro novo e R$ 380 milhões de dívidas convertidas em ações. A expectativa é que metade desse aporte seja feito pelos três principais acionistas da Brenco, o braço de investimento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDESPar), a Ashmore e a Tarpon. "Mas, se os outros acionistas não participarem com a outra metade, os três já garantiram que complementarão o valor", diz Reichstul, que deixará o negócio em abril para se dedicar à atividade de consultor de empresas. Segundo fontes, a maior parte dos investidores da Brenco tinham desistido do negócio.

Assim, a princípio, o BNDESPar deve aportar 20% do capital novo prospectado pela Brenco entre seus acionistas e converter R$ 155 milhões de debêntures em ações.

O BNDESPar terá sua parte diluída no novo negócio de 20,9% - referente ao capital de R$ 140 milhões investidos na Brenco - para 16,6%. "O importante é viabilizar uma nova empresa de escala grande no setor, num padrão elevado de sinergia e de eficiência na produção de etanol", disse o presidente do BNDES, Luciano Coutinho. Antes da fusão, as duas empresas já tinham aprovados que somam R$ 2 bilhões com o banco de fomento.

A participação estrangeira também deve ser diluída no novo negócio. O fundo Ashmore, que tinha 37% - após comprar a parte da Amber Master Fund - passará a deter 15% da nova empresa. A Tarpon que tinha entre 12% terá sua parte diluída para 2,7%.

O conselho de administração da ETH Bioenergia terá dez integrantes, dos quais 7 da Odebrecht e da japonesa Sojitz Corporation, que te 33% da ETH, e o restante dos assentos será preenchido por um representante do BNDESPar, outro da Ashmore e outro da Tarpon, que juntos detinham quase 70% da Brenco, antes da fusão.

Na safra 2010/11 a nova empresa deve moer entre 10 e 11 milhões de toneladas de cana e faturar entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,4 bilhão. A previsão é de que a receita total atinja R$ 4 bilhões em 2012, a partir da moagem de 40 milhões de toneladas de cana e produção de 30 bilhões de litros de etanol - ultrapassando a capacidade atual da Cosan, que na safra 2009/10 produziu 2,3 bilhões de litros do biocombustível. "É evidente que os concorrentes vão crescer. Mas nós também. A diferença é que nossos projetos já estão decididos com linhas de crédito contratadas ou em contratação. Por isso, conseguimos neste momento fazer comparação e reafirmar que vamos ser os maiores", afirma Grubisich.

Além de etanol, a nova empresa terá foco em produção de energia elétrica a partir do bagaço da cana. Em 2012, a produção será de 2,7 gigawatts hora, o suficiente para abastecer por um ano o estado da Paraíba. Desse total 75% já estão negociados nos leilões de energia do governo. em 2012, a nova empresa também produzirá entre 550 mil e 600 mil toneladas de açúcar, resultante de investimentos feitos pela ETH antes da união com a Brenco. "Ainda que o foco seja bioenergia, a produção de açúcar ajuda a dar mais robustez na geração de caixa", diz Grubisich. (Colaboraram Carolina Mandl, de São Paulo, e Rafael Rosas, do Rio)

Imprimir o conteúdo Visualizar impressão Fonte: Fonte: Valor Econômico - Fabiana Batista
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