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Polêmicas fazem parte do dia a dia das entidades 01/03/2010

Ex-presidente FHC é um dos críticos dos fundos

Renée Pereira
Na Funcef, fundo dos funcionários da Caixa Econômica Federal, a realocação da carteira de investimentos foi planejada em 2004, com uma projeção de cenários que mostrava que a rentabilidade dos juros ficaria abaixo da meta atuarial já neste ano. A parcela de 50% atrelada aos juros ficou reduzida a 12%.

"Outra parte dos recursos foi investida em aplicações ancoradas em índice de preços, como debêntures. Outra parcela foi para renda variável, que saiu de 14% para 36%", diz o diretor de Investimentos da Funcef, Demósthenes Marques.

Hoje o fundo, terceiro maior do País, com R$ 37 bilhões de patrimônio, é cotista em 33 Fundos de Investimento em Participações (em 2004 só participava de 1), com presença em mais de 70 empresas. Além disso, detém participação direta em companhias como ALL, Vale, OI e Invepar.

No maior fundo do País, Previ (dos funcionários do Banco do Brasil), que sozinho detém 28% da indústria, a participação em renda variável vem alta desde a privatização, quando arrematou uma fatia importante da Vale. "Naquela época, a empresa valia US$ 10 bilhões. Hoje, está em torno de US$ 150 bilhões, um crescimento de mais de 15 vezes", comenta o diretor de investimentos da Previ, Fabio Moser.

Cerca de 60% da carteira do fundo está aplicada em renda variável. Entre 1998 e 2008, a rentabilidade desse portfólio foi de 1.150%, contra uma alta de 750% do Ibovespa. A Previ detém hoje participação relevante em mais de 50 empresas, como Banco do Brasil, Neoenergia, CPFL, OI, Klabin, Brasil Foods e 521Participações, entre outras. Por sua grandiosidade, o fundo está envolvido em confusões e acusação de manipulação por parte do governo federal.

"Temos verificado no Brasil um movimento de fusões, aquisições e incorporações por parte dos fundos que ocorreu nos Estados Unidos durante a segunda metade dos anos 80 e em toda década de 90", afirma o consultor do Conselho Regional de Economia de Minas Gerais, Carlos Sidnei Coutinho. Na opinião dele, os fundos se tornaram investidores estratégicos no Brasil.

O economista Antonio Corrêa de Lacerda vai além: "Os fundos de pensão ampliam a participação do governo na economia." Mas, se for bem conduzido e fiscalizado, pode ser uma grande oportunidade de deslocar o dinheiro para o setor de infraestrutura, como ocorre no resto do mundo.

"Com patrimônio na casa de R$ 500 bilhões, os fundos têm de arrumar alternativas para investir os recursos. É tanto dinheiro que não dá para investir só em títulos públicos", avalia o diretor-presidente da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Privada (Abrapp), José de Souza Mendonça.

O economista e diretor-técnico da consultoria LCA, Luiz Guilherme Piva, complementa que, além de ter muito dinheiro, os fundos de pensão têm uma característica de poucos investidores: a de não ter pressa para sair de um determinado investimento. "Um país, como o Brasil, que precisa de investimentos de longo prazo não pode abrir mão dos fundos."

O uso dos fundos para ampliar investimentos, no entanto, tem seus críticos ferrenhos. Um deles é o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, apesar de a expansão dos fundos de pensão ter começado no seu governo durante a privatização. Em artigos publicados em jornais, ele tem chamado os fundos de "estrelas novas, que os vorazes, mas ingênuos, capitalistas recebem deles o abraço da morte".

Imprimir o conteúdo Visualizar impressão Fonte: O Estado de s. Paulo
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