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O empréstimo de R$ 3 bilhões da Camargo Corrêa que está sendo distribuído aos bancos no mercado interno, tomado para comprar 31,1% da produtora de cimento portuguesa Cimpor, tem garantia real nas ações de empresas de posse da companhia. O total das garantias precisa chegar até 120% dos R$ 3 bilhões. Segundo o Valor apurou, devem ser incluídas as participações da Camargo na Itaúsa (a holding que controla o Itaú Unibanco), na Alcoa e na VCB Energia. Essas ações devem ser substituídas, depois, pelas da Cimpor.
A VCB Energia é a holding que possui 28,22% das ações ordinárias da CPFL e que participa do seu bloco de controle. Comprou no final do ano passado 7.766.880 ações ordinárias da Companhia de Concessões Rodoviárias (CCR) que estavam em poder de sua controladora, por R$ 297 milhões.
Não deverão ser incluídas nas garantias a participação de 11,5% que a Camargo Corrêa detém na Usiminas, pois para isso seria necessário acerto com outros acionistas. A Camargo Corrêa tem ainda participação na multinacional espanhola Tavex, a maior fabricante mundial de denim, o tecido do jeans, que também não serão incluídas nas garantias.
Segundo o Valor apurou, a Tavex contratou o banco Lazard para realizar uma reestruturação societária que deverá resultar em redução na participação da Camargo Corrêa na espanhola, de 36,7%.
Não é de hoje que a Camargo Corrêa tem demonstrado interesse em vender ações em negócios considerados não-prioritários, de forma a concentrar seus esforços na área de cimento, construção pesada, concessões de rodovias e na área de energia.
O Banco Rothschild está desde o ano passado contratado para avaliar e vender os 4,06% que a Camargo Corrêa tem no capital total da Itaúsa. Estima-se que somente essa participação tenha valor de US$ 1,5 bilhão a US$ 2 bilhões, só ele suficiente para fornecer as garantias para todo o empréstimo atual.
A participação na Alcoa, de menos de 2%, poderá ser vendida diretamente no mercado. Na Itaúsa, no entanto, a história é outra: a saída mais provável será um investidor privado. A Camargo Corrêa Cimentos possui 10,31% do total de ações ordinárias da Itaúsa e 0,16% das preferenciais, o que lhe confere 4,06% do capital total da holding. Mas as ações ON têm pouca liquidez.
No final do ano passado, para dar saída à Camargo Corrêa, a Itaúsa propôs a conversão de ações ordinárias da companhia em preferenciais (PN, sem voto), no valor de 1 para 1. A Camargo não gostou da ideia e resolveu ficar fora da transação. Provavelmente considera que com um investidor privado conseguiria uma valorização maior dos papéis.
O fato de a Camargo dar as ações em garantia não lhe impede de vender esses papéis, com a condição de que todo o dinheiro obtido com a venda seja usado para pagamento do empréstimo de R$ 3 bilhões. Haverá "alienação fiduciária de ações representativas de participações societárias de titularidade da emissora e ou de qualquer sociedade controlada direta ou indiretamente pela emissora".
Para comprar a Cimpor, o HSBC deu uma garantia inicial. Agora, o empréstimo está sendo distribuído a outros bancos no mercado brasileiro por meio de notas promissórias de prazo de vencimento em seis meses, de valor unitário de R$ 1 milhão, pagando 110% do Depósito Interfinanceiro. Será uma emissão pública com esforço restrito, para investidores super-qualificados, nos moldes do instrução 476 da Comissão de Valores Mobiliários.
Para rolar esse título, será emitido outro, também de prazo de vencimento em seis meses, e depois serão emitidas debêntures, pelo prazo de vencimento em dois anos. Nenhum desses papéis paga Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), diferentemente do que acontece com os empréstimos diretos. Além disso, a vantagem de tomar recursos em reais por meio de debêntures é que os papéis poderão ser distribuídos para fundos.
No total, a Camargo Corrêa teve de pagar € 1,4 bilhão para comprar 31,1% na cimenteira Cimpor em fevereiro. Uma das razões para tomar uma linha em reais para isso, além do custo mais atrativo, foi poder entrar com essas participações como garantia. A Votorantim, por seu vez, arrematou 21,2% do capital da portuguesa, e para isso precisou tomar um empréstimo de cerca de € 300 milhões do Deutsche, Santander, BBVA e Citigroup. Com isso, as companhias barraram a entrada da Companhia Siderúrgica Nacional na cimenteira Cimpor. |
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