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A expectativa de forte retomada do crédito bancário, com competição acirrada entre as instituições financeiras, deve beneficiar diretamente as empresas, que já começam a ver uma leve redução dos spreads (diferença entre o custo de captação para os bancos e o preço final para o tomador de empréstimos). Esse cenário mais positivo deve se refletir também no mercado de dívidas, com as taxas de debêntures recuando ao longo de 2010.
De acordo com relatório da equipe de análise do BTG Pactual, o ano de 2009 apresentou o que é conhecido como "fechamento dos spreads", ou seja, as debêntures no mercado ofereceram bons retornos aos investidores por conta dos efeitos da crise que restringiram a liquidez mundial e alteraram os preços dos ativos negociados. Esse movimento deve se manter num grau mais lento ao longo deste ano, o que mantém a atratividade dos papéis.
Por conta disso, há uma ótima janela para as companhias que pretendem acessar o mercado de dívidas, especialmente para refinanciar seus débitos, afirma Alexandre Muller, analista do BTG Pactual e autor do relatório junto com Mônica Ferri, também do banco.
Segundo ele, além do crescimento econômico, projetado pelo banco em 5%, há uma perspectiva de bons resultados corporativos e de recuo da inadimplência de maneira geral no mercado em 2010. Esse quadro é bastante positivo para as empresas e deve atrair os investidores para emissões locais de títulos.
"Os fundamentos dos emissores em termos de capacidade de pagamento continuam muito forte. Não houve nenhum 'default' em debêntures durante a crise, apenas renegociação de termos e condições", diz Muller.
Muitas operações também utilizaram a Instrução 476 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que permite a oferta restrita. Essa possibilidade serve como alternativa às cédulas de crédito bancário.
Até empresas de menor porte devem começar a acessar o mercado, mas num primeiro momento as taxas serão mais elevadas, pela falta de histórico. "Às vezes ativos com mesmo rating de crédito, mas de setores ou empresas estreantes pagam taxas mais altas", diz. |
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