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A Tractebel Energia, controladora da maior geradora de energia privada do país, abre caminho para aumentar a capacidade de endividamento com expectativa de corte no custo médio de financiamento e maior flexibilidade para a alavancagem. Em assembleia de debenturistas detentores de papéis da segunda emissão - feita em 2007 -,a companhia colocou em votação a elevação do limite de endividamento, passando do atual teto de 2,5 vezes o Ebitda (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) para 3,5 vezes. Em 31 de março, a composição da dívida bruta da companhia era de R$ 3,6 bilhões, com R$ 382 milhões vencendo em 2012 e R$ 500 milhões em 2013.
“Estamos aumentando nossa flexibilidade”, disse em entrevista por telefone hoje, de São Paulo, o diretor financeiro e de relações com os investidores da Tractebel, Eduardo Sattamini. “Não quer dizer que vamos ficar o tempo todo [com o endividamento] em três e meio [do Ebitda], mas vamos ter a possibilidade de ir até esse teto, especialmente neste e no próximo ano.” A empresa é controlada pela franco-belga GDF Suez no Brasil, principal acionista da hidrelétrica de Jirau, no rio Madeira, obra orçada em R$ 15,1 bilhões. O executivo disse que as percepções de risco mudaram desde 2007, quando o teto de endividamento foi firmado para as debêntures. “A realidade do Brasil é outra hoje e nosso rating da empresa também melhorou.”
No fim de abril, a Fitch elevou as classificações de risco da Tractebel em moeda estrangeira de BBB- para BBB, com perspectiva estável, para refletir, segundo a agência, “o sólido perfil financeiro consolidado da Tractebel”. A agência também elevou o rating em moeda nacional para o longo prazo da segunda emissão de debêntures, no montante de R$ 350 milhões, com vencimento em 2014, para AAA de AA+. Com o “upgrade”, a Tractebel espera cortar em até 30 pontos básicos o custo médio do endividamento, disse o Sattamini. O custo médio anual da dívida da companhia é de 9,1% para os compromissos em reais - que respondem por 94% do total; e de 3% ao ano para os empréstimos em dólar e em euros. A GDF Suez no Brasil, dona da Tractebel, está negociando com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) um adicional de financiamento para a usina de Jirau, elevando a linha que está em R$ 7,2 bilhões.
A GDF Suez pretende repassar a participação em Jirau para a subsidiária Tractebel Energia no fim deste ano, quando o grupo acredita que os principais riscos da obra já estarão mitigados. Eduardo Sattamini disse que o modelo do negócio deve ser acertado até o fim do ano, com a transferência de ativos realizada em meados de 2013. |
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