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Duas operações de aumento de capital, que podem ser concretizadas por Usiminas e Suzano Papel e Celulose, estão se desenhando com forte potencial para incomodar acionistas minoritários. Na Usiminas, informações de mercado dão conta que o controlador, a Techint, planeja participar da operação não com recursos, mas com um ativo - a Confab. Na Suzano, além da diluição para os acionistas que não exercerem o direito de preferência na oferta pública de ações, poderá haver uma outra, por conta da conversão de R$ 1,3 bilhão em debêntures. Procurados, Techint e Suzano não deram entrevista. No mercado, o aumento de capital da Usiminas é visto como necessário, por conta da análise dos indicadores financeiros da companhia. A questão é como fazer essa operação. A Techint teria de lançar mão de mais recursos, depois de ter pago R$ 36,00 pela ação ordinária da empresa em novembro e visto o papel cair para os níveis atuais, de R$ 9,15, após queda de 2,87% ontem. Na prática, a Techint estaria "marcando a mercado", no jargão da indústria, uma forte perda. Uma opção que está na mesa é a Techint anunciar um aumento de capital na Usiminas e, em vez de recursos, participar com a Confab, cujo fechamento de capital foi concluído em maio pela Tenaris, também controlada pela Techint. O preço da operação foi negociado com os minoritários - portanto, em tese, haveria pouco espaço para questionamento em relação ao valor desse ativo. Por conta da operação, o valor de mercado da Confab manteve-se ao redor de R$ 1,7 bilhão. Já de novembro até hoje, o valor da Usiminas passou de R$ 17 bilhões para R$ 7,8 bilhões (-54%). Antes, Confab representava cerca de 10% do valor de Usiminas, agora está em 22%. Nesse modelo, o dinheiro necessário para a empresa viria de acionistas minoritários, que acompanhariam a operação para não serem diluídos - inclusive, da CSN, que, após compras no mercado atingiu 15,9% do capital da companhia. Para levar adiante essa operação, que se assemelha à realizada pela Petrobras, quando o governo fez a cessão onerosa dos campos de petróleo à estatal, a Techint precisaria do apoio de seu sócio no controle da Usiminas, a Nippon Steel. A hipótese é que os japoneses cedam o direito de subscrição para a Techint, mais um ponto delicado dessa formatação. As contas de mercado são de que a capitalização da Usiminas seria no mínimo de R$ 1,5 bilhão, até R$ 2,5 bilhões. Somadas, as participações de Techint e da Nippon correspondem a perto de 40%. Como o grupo colocaria o valor atribuído à Confab, de R$ 1,7 bilhão, os minoritários responderia por R$ 2,5 bilhões. No caso da Suzano, acionistas andam incomodados com uma provável e forte diluição extra que a concretização de oferta de ações, também para melhorar seu endividamento, pode trazer. Uma emissão de R$ 1,3 bilhão em debêntures conversíveis feita no fim de 2010 e com vencimento em 2013 prevê que os detentores dos papéis possam convertê-los em ações se a companhia realizar uma oferta pública e ao preço dessa emissão. As debêntures saíram a R$ 17,39, enquanto as ações, na bolsa, estão hoje R$ 4,40. Nesses valores, a conversão no momento da oferta é, portanto, vantajosa para quem possui o papel -basicamente os controladores da Suzano (53%) e a BNDESPar (45%). Eles têm 30 dias após a realização da assembleia que aprovar a oferta para informar se exercerão opção. Uma questão levantada pelo mercado é se a companhia não tinha condições de prever que precisaria fazer uma oferta antes de 2013. Os papéis, à época, pagaram juro de 4,5% ao ano e atualização pelo IPCA, remuneração considerada abaixo das taxas de mercado, o que afastou investidores. O valor das debêntures é semelhante ao que a empresa pretende levantar com oferta, prevista em R$ 1,5 bilhão e que ainda não foi iniciada. O grupo controlador da Suzano já informou que vai acompanhar a operação para não ser diluído e também ficará com eventuais sobras de ações na oferta proprietária. No prospecto, a empresa estima que as novas ações, tanto da conversão quanto da oferta pública, representarão 25% do novo capital total da empresa.
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