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Debêntures são alternativa, mas gestores advertem para riscos A taxa de juro oficial, a Selic, morro abaixo, deve impulsionar com mais força o mercado de capitais de títulos privados. A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais (Anbima) indica que o caixa desta modalidade acumula alta de 54,7% entre novembro de 2009, no auge da crise internacional, e maio passado, somando R$ 1,6 trilhão do total de R$ 3,5 trilhões em negociação no mercado interno. O saldo reforça o que o mercado aponta como tendência que veio para ficar, que é a perda de terreno dos títulos públicos. Entre opções do ramo privado estão as debêntures, que chegam a acumular alta de R$ 60,5% em 30 meses no estoque das emissões destes títulos de dívida. Os títulos públicos, cuja rentabilidade está atrelada à taxa oficial, que está em 8,5% ao ano, respondiam por 54,8% do mercado de recursos, ante 57,7% em novembro de 2009. Os privados passaram de 42,3% para 45,2%. Também as debêntures avançaram, de 11,3% do capital para 12,5%. Em 30 meses, o capital total passou de R$ 2,4 trilhões para R$ 3,5 trilhões, aumento de 45%. Com a Bolsa de Valores em baixa e sem recuperação projetada para o curto prazo, o diretor de gestão de recursos da Quantitas, Rogério Braga, salienta que as aplicações de renda fixa, território de títulos como as debêntures e letras financeiras (outra modalidade que conquistou espaço e já responde por 5,5% dos capitais), ganharão mais fôlego. Braga vincula a escalada do caixa das aplicações em títulos privados também ao umento vertiginoso do patrimônio líquido (PL) dos fundos de investimento e das carteiras do segmento institucional (como os fundos de pensão) desde o começo dos anos 2000. De um caixa de R$ 355 bilhões em 2002, estes dois players com mais fome e rentabilidade avançaram para R$ 2,09 trilhões em maio de 2012. “Dentro das carteiras dos fundos, os títulos privados passaram de uma fatia de 15% dos recursos para 25% no mesmo período”, dimensiona Braga. “Isso faz parte da evolução do mercado de títulos no Brasil”, demarca o diretor da Quantitas. A emissão de títulos de dívida revela outro sintoma do mercado. O prazo de vencimento das debêntures tende a aumentar e já estava em 5,2 anos em maio. As incertezas de 2009, por exemplo, rebaixaram para quatro anos o período. O gestor adverte apenas que a busca por esta aplicação exige avaliação sobre as condições das empresas emissoras e sua capacidade de honrar a remuneração projetada. “As taxas variam de 0,5% a 2% ao ano, acima do CDI (juros interbancários), mas tudo dependerá do tipo de crédito e risco do emissor”, destaca. “Nesta área, se a empresa vai mal e registrar perdas, o investidor não consegue vender o título, diferentemente da bolsa”, aponta Braga. Segundo a Anbima, refinanciamento de passivo e capital de giro, com 46,8% e 31,5%, respectivamente, estavam entre as razões principais para o lançamento de títulos de dívida. Em terceiro lugar, até maio, aparecia o uso dos recursos captados de investidores em aportes e até aquisição de participação acionária em empresas, com 13%. O vice-presidente da Associação dos Analistas e dos Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimecsul), Christian Klemt, diz que o ambiente de juros menores impõe trabalho redobrado a gestores de recursos de terceiros. “A migração para títulos privados exige mais esforço diante de riscos maiores”, associa Klemt, que vê em debêntures um terreno ainda para crescimento. “Esta aplicação está engatinhando no Brasil”, avalia o vice-presidente da Apimecsul. Segundo o dirigente, a melhora nas aplicações na bolsa dependerá do cenário externo, cujo rumo ainda é incerto. “A questão agora é onde buscar mais rentabilidade”, opina Klemt, que espera maior atração para títulos privados e até investimento direto, em empresas. A tendência agrada o coordenador-geral da CRP Participações, Clovis Meurer, que vislumbra o direcionamento de recursos das modalidades para a indústria de Private Equity. Esses recursos são injetados em empresas de diversos segmentos para obter rentabilidade. “O segmento é também alternativa para investimento, principalmente, quando há uma gestão qualificada”, salienta Meurer. O coordenador geral da CRP aponta energia, tecnologia da informação, serviço varejo e agronegócio como ramos com maior atratividade no País. O setor de Private Equity soma hoje R$ 30 bilhões em aplicações.
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