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Taxas longas caíram menos que as de vencimento curto, diz Abbud, da Western Após os contratos futuros de juros de curto prazo apontarem a taxa Selic em 7,5% no fim do ano, os gestores de renda fixa têm mudado de tática - saem das posições em juros com prazos menores para apostar na queda das taxas de longo prazo, que ainda apresentam prêmios. A mudança de posicionamento é reforçada pelo cenário para a inflação doméstica, que tem se mostrado mais controlada diante do enfraquecimento da atividade econômica. Ainda que alguns analistas estimem que a Selic possa voltar a subir no ano que vem, quando a expectativa é de que a economia ganhe força, não se imagina no mercado que a taxa básica retorne ao patamar de dois dígitos. A Western Asset reduziu há três meses as posições em taxa de juros com prazos mais curtos e aumentou as alocações em posições prefixadas de mais longo prazo, com vencimento entre 2017 e 2021. "O mercado já precificou um corte da taxa Selic no curto prazo, que acredito que não deve passar de 7,5% neste ano, mas as taxas de juros de longo prazo caíram bem menos e devem ser as próximas a apresentarem uma redução", afirma Guilherme Abbud, superintendente de gestão de renda fixa e multimercados da Western Asset. As taxas dos títulos públicos prefixados, como a Nota do Tesouro Nacional - série F (NTN-F), com vencimento em 2021 e 2023, por exemplo, pagavam taxa de 10,01% e 10,23%, respectivamente, na segunda-feira. Depois de sete cortes seguidos, que totalizaram quatro pontos percentuais, a Selic está atualmente em 8,5% ao ano. "Na minha opinião pessoal talvez seja necessário um aumento da taxa básica de juros no ano que vem, mas mesmo assim ela deve continuar em um dígito", afirma André Abreu, gerente-executivo de renda fixa da BB DTVM. A gestora também reduziu as posições prefixadas em taxas de juros de prazo mais curto, que hoje representam apenas 5% das carteiras de fundos de renda fixa tradicionais na BB DTVM. "Grande parte do movimento de queda nas taxas de juros de curto prazo já aconteceu", acrescenta Abreu. A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de maio, que desacelerou para 0,36% e ficou abaixo das estimativas, e o desempenho do PIB no primeiro trimestre, que cresceu apenas 0,2% em relação ao trimestre anterior, ajudaram a reforçar a aposta dos gestores na queda da taxa básica. As projeções do mercado contidas no último boletim Focus mostraram recuo nas estimativas para o IPCA de 5% para 4,95% neste ano, e de 5,54% para 5,50% em 2013. "Estávamos trabalhando já há algum tempo com uma inflação mais baixa e esses dados mostram que talvez o Banco Central não precise aumentar a taxa básica de juros no ano que vem", acrescenta Abbud, da Western Asset. A desaceleração econômica de parceiros comerciais importantes do Brasil, como China e Estados Unidos, também deve ter impacto sobre a recuperação da economia doméstica, lembra Paulo Francisco de Souza, superintendente nacional de gestão de ativos de terceiros da Caixa, que trabalha com o corte da taxa Selic para 7,5% no fim do ano. "O cenário tem apontado para um enfraquecimento da atividade econômica, o que abre espaço para haver uma queda maior da taxa básica de juros." Para capturar esse movimento, a gestora manteve as posições vendidas (apostando na queda) em taxa de juros no mercado futuro e compradas em Notas do Tesouro Nacional - série B (NTN-B) - que pagam uma taxa prefixada mais a variação do IPCA - com prazo entre 2018 e 2022. "Ainda vemos um espaço para a queda das taxas desses títulos", diz Souza, da Caixa. Além disso, a piora no cenário externo tem aumentado a incerteza em relação à recuperação do crescimento global. Apesar de a Espanha ter formalizado o pedido à União Europeia de um pacote de socorro - que pode chegar a €100 bilhões - para seu setor bancário, as dúvidas e temores em relação ao futuro da região permanecem. "Uma ruptura na zona do euro, dado que a Alemanha tem se posicionando contra qualquer tipo de ajuda sem alguma contrapartida, poderia acelerar esse ciclo de queda da taxa básica de juros", diz Izak Benaderet, diretor de fundos multimercados e de renda fixa da BNP Asset Management. Dado o cenário externo de baixo crescimento e de redução das pressões inflacionárias no mercado interno, o superintendente-executivo de fundos do Santander, Eduardo Castro, ainda acha interesse manter as posições vendidas (apostando na queda) em taxas de juros. "Reduzimos o tamanho das posições de curto prazo e alongamos um pouco o prazo médio da carteira, concentrando as alocações mais para o meio da curva de taxa de juros." A gestora do BNP Paribas também reduziu a posição em taxa de juros de curto prazo e aumentou as alocações em NTN-B com vencimentos mais longos, como forma de proteção contra uma alta da inflação. "Acreditamos que possa haver um aumento da taxa básica de juros no ano que vem entre 1,5 ponto percentual e 2 pontos percentuais", afirma Benaderet. Segundo o gestor, os efeitos das medidas de estímulo adotadas pelo governo, com a promoção da redução das taxas dos empréstimos bancários e ações fiscais, ainda não estão sendo sentidos pela economia e devem começar a aparecer no terceiro e quarto trimestres, o que pode pressionar para cima as projeções de inflação. Na BM&FBovespa, os contratos de depósito interfinanceiro (DI) janeiro de 2013 fecharam ontem em 7,65%, enquanto os de janeiro de 2017 alcançaram a mínima histórica de 9,33%.
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