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Os desembolsos do BNDES para projetos de infraestrutura devem crescer este ano um pouco mais de 5%, evoluindo dos R$ 56,1 bilhões liberados em 2011 para algo perto de R$ 59 bilhões. Trata-se de uma expansão acima da evolução do PIB, em sintonia com a demanda por recursos. Se houvesse mais pedidos de financiamento, a instituição trataria de arrumar o dinheiro, já que o setor de infraestrutura desfruta do selo de alta prioridade. Nos primeiros quatro meses de 2012, a liberação totalizou R$ 13,49 bilhões. A média mensal, de R$ 3,37 bilhões, se projetada para o restante do ano informaria um aporte de R$ 40,5 bilhões em 2012, ainda muito baixo, por força das sazonalidades típicas de início de ano, comparativamente às previsões oficiais do banco estatal.
"Os projetos de infraestrutura não sofrem os efeitos de eventuais conjunturas de desaceleração econômica. O seu curso prossegue normalmente dentro do banco, conforme os programas estabelecidos pelo governo, independentemente do que aconteça no restante da economia", diz Dalmo Marchetti, gerente do Departamento de Logística do BNDES.
Não se registra, segundo Marchetti, nenhum arrefecimento na demanda referente aos projetos de logística. São investimentos anticíclicos que visam criar as condições para o crescimento sustentado. A expectativa é de que o BNDES deve encerrar 2012 com desembolsos entre R$ 5,5 bilhões e R$ 6 bilhões para projetos de logística e transportes de carga. Se tal projeção se confirmar, haverá uma expansão de até 39% sobre os R$ 4,3 bilhões registrados em 2011. A avaliação do técnico da instituição é de que, até 2015, a procura por financiamentos alcance nessa área cerca de R$ 117 bilhões, sem considerar as relativas às concessões dos aeroportos de Guarulhos, Viracopos, Brasília e São Gonçalo do Amarante (RN). Com elas, o valor se eleva a R$ 121 bilhões Mas o fato é que o ritmo de crescimento dos desembolsos totais para infraestrutura - incluindo todas as linhas, além dos investimentos mais pesados - vem diminuindo nos últimos quatro anos. Após o salto de 38,6% ocorrido em 2009, ano em que as liberações acumularam R$ 48,65 bilhões, ante R$ 35,1 bilhões em 2008, o incremento tem sido mais modesto. Foi de 7,75% em 2010 e de 6,8% no ano passado. O decréscimo na velocidade de aceleração é, segundo técnicos da instituição, natural, pois, a cada ano, o volume total se agiganta, tornando a base de comparação bem mais elevada. O banco administra hoje cerca de 332 projetos de infraestrutura, no montante de R$ 232 bilhões. Desses 332 projetos, 56% já foram aprovados, 20% estão submetidos à fase crítica de análise e 24% na etapa inicial de carta-consulta.
Os executivos do mercado financeiro são unânimes em assegurar que o papel do BNDES, como fornecedor de crédito de longo prazo, persiste insubstituível. Tanto é que todas as outras linhas destinadas à infraestrutura - captações externas por meio de empréstimos sindicalizados, lançamento de eurobônus, estruturação de project finance e de project bonds, e os fundings em reais fornecidos pelas Parcerias Público-Privadas (PPP), Fundos de Investimentos e Participação (FIP), fundos de infraestrutura e debêntures incentivadas - são apenas complementares aos desembolsos do banco de fomento.
"O BNDES é o parceiro fundamental nos financiamentos de longa maturação", diz o diretor de renda fixa do BBI, Leandro Miranda. "O BNDES é a grande âncora de todo o processo de financiamento à infraestrutura", diz Sergio Monaro, diretor de project finance do HSBC.
A supremacia do BNDES se justifica: custos imbatíveis das linhas à infraestrutura, composto por TJLP (6% ao ano desde 2009) mais a taxa básica de 0,9% ao ano, e os spreads de risco, que variam de 0,5% a até 3,5% em casos extremos.
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