|
Os resultados das cinco maiores empresas de shopping centers indicam que há no setor uma movimentação destinada a aproveitar o momento de expansão e ganhar posições estratégicas. É hora de captar recursos, lançar empreendimentos Brasil afora, numa rodada em que as grandes ocupam espaços para definir o perfil do mercado, considerado em processo de consolidação.
Nessa etapa, há quem acredite que a inovação seja o grande diferencial competitivo.
"O setor de shoppings tem grandes desafios, sobretudo no que se refere à inovação. Há que se investir na capacidade de reinventar estes espaços mantendo essa dualidade de serem locais de consumo e de convívio social", analisa José Baeta Tomás, CEO da Sonae Sierra Brasil. Para ele, os empreendimentos de perfil único, para ser um centro de compras "tradicional", está fadado ao fracasso. "Aliar compras com serviço, lazer, espaço de convivência já é realidade há tempos", diz.
O CEO da Sonae acredita que, nesse desafio de inovação, os shoppings terão, em um futuro próximo, de saber integrar em seu modelo, por exemplo, a tecnologia que suporta o comércio eletrônico e as redes sociais. "Esta integração será o fator crítico de sucesso no setor", analisa.
A Sonae Sierra Brasil abriu capital em 2011, e definiu como estratégia criar novos formatos no mercado, trazendo conceitos inovadores. No início de 2012, a Sonae Sierra fez a primeira emissão de debêntures no mercado, no valor de R$ 300 milhões.
Em 2011, a empresa registrou lucro líquido de R$ 231 milhões, representando 66% de aumento em relação a 2010. Além dos 11 shoppings de seu portfólio (245 mil m² de ABL - área bruta locável própria), a empresa tem dois novos em desenvolvimento, o Boulevard Londrina Shopping, em Londrina (PR), e o Passeio das Águas Shopping, em Goiânia (GO). Em seu plano de negócios estão três projetos greenfields e três expansões, que aumentarão sua ABL em 96%, para 389 mil m² até 2013.
A BR Malls, maior do setor, registra em seu relatório para acionistas um novo negócio, a joint-venture com a Simon Property Group, maior empresa de outlet do mundo. "O objetivo da parceria é trazer ao consumidor brasileiro o verdadeiro conceito de outlet, oferecendo lojas de varejistas nacionais e internacionais, e marcas de renome, a preços promocionais", registra a empresa, como justificativa do negócio aos acionistas. A companhia fez um investimento de R$ 1,4 bilhão em 2011.
No início desse ano, realizou a ampliação de participação de 33% no Shopping Itau Power, em Minas Gerais, e de 50% no Shopping Rio Anil, no Maranhão, agregando mais 23,9 mil m² de ABL própria. Além disso, aumentou a participação no Shopping Metrô Tatuapé, em São Paulo. Anunciou um novo projeto greenfield no Guarujá (SP), na região paulista da Baixa Santista, o Guarujá Plaza Shopping. A empresa fez, em fevereiro de 2012, a segunda emissão de debêntures não-conversíveis, captando R$ 405 milhões.
Exibindo o portfólio mais jovem do setor, a Aliansce registrou um lucro líquido de 256% no primeiro trimestre de 2012, o que representou R$ 31,2 milhões, ante R$ 8,7 milhões no mesmo período de 2011. A Aliansce captou R$ 685 milhões (R$ 185 milhões em debêntures e R$ 500 milhões em notas promissórias) para financiar operações nesse início de ano e manter sua sólida posição de caixa.
Os investimentos em 2012 chegaram a R$ 310,3 milhões, utilizados na aquisição de participação adicional do Iguatemi Salvador e na aquisição de participação adicional e controle de outros cinco shoppings - Carioca, Taboão, Campina Grande, Caxias e Campos - e na construção do Parque Shopping Belém, Boulevard Shopping Vila Velha, Shopping Nações Bauru e do Parque Shopping Maceió. Vila Velha e Bauru têm a inauguração prevista para novembro de 2012 e o Parque Shopping Maceió, para setembro de 2013. Esses três ativos aumentarão em 23,9% a ABL própria da empresa.
"Estamos olhando para muitas oportunidades, sem limitação de região ou faixa de renda do público", diz Eduardo Prado, superintendente de relações com investidores da Aliansce. Os negócios do início do ano elevaram em 23,7% a ABL própria da empresa, que está em 276,3 mil m². Até o final de 2013, a expansão alcançará 41,3%.
Segundo o relatório da Aliansce, seu portfólio está estrategicamente posicionado: 25% da ABL própria estão nas regiões Norte e Nordeste e o restante, no Sudeste. Cerca de 34% da ABL própria está direcionada à classe média emergente. Os ativos com menos de cinco anos de operação representam 57,2% da ABL.
A Multiplan, com cinco anos de capital aberto, também acredita na diversificação dos investimentos para buscar resultados. Por isso, sem descartar as oportunidades para aquisição de participações minoritárias nos shoppings do portfólio, aposta em outros negócios estratégicos. "Isso significa construir projetos adequados para cada mercado consumidor", afirma Armando D'Almeida Neto, diretor vice-presidente e de Relações com Investidores da Multiplan.
No primeiro trimestre, a empresa aplicou 35% dos R$ 1 bilhão previstos para investimentos em 2012 na aquisição de 30% de participação no Shopping Vila Olímpia, em São Paulo; na construção de quatro shoppings e dois projetos de torres comerciais para locação. Os recursos também foram empregados na revitalização de shoppings, investimentos em tecnologia de informação, entre outros. O crescimento estimado da empresa é de 25% em 2012, ante os 420,2 mil m² de ABL própria atual. O lucro líquido da empresa no primeiro trimestre de 2012 foi de R$ 124,5 milhões, o que significou 95% de crescimento em relação ao mesmo trimestre de 2011.
|
|