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São Paulo, 28/06/2012 - O patamar da taxa Selic daqui em diante será fundamental para determinar a velocidade com que a liquidez irá aumentar no mercado secundário de debêntures. "A liquidez virá quando a taxa básica de juro cair mais e os grandes participantes sentirem necessidade real de prêmio", disse Mauro Slemer, da Fator Corretora. Segundo ele, isso está próximo. "A partir do nível que o mercado está precificando - de taxa Selic a 8% - a procura tende a aumentar no mercado secundário de debêntures", diz. Slemer afirma que, nos grupos de trabalho que discutem o mercado de debêntures, a expectativa é de que os volumes negociados vão se multiplicar no médio prazo, acrescentando ser impossível prever em quanto e a qual ritmo. "Há muitas variantes envolvidas no aumento da liquidez do secundário de debêntures", diz, entre as quais está, inclusive, o desdobramento da crise externa. Ele observa que as incertezas no cenário externo provocaram fuga de parte dos investidores para ativos mais seguros, fazendo com que a velocidade de ganho de liquidez do secundário ficasse abaixo do que se esperava há alguns meses. "A curva da liquidez é ascendente, mas a velocidade não acompanha o imaginado", afirma. Ele diz que a crise afetou, por exemplo, a participação dos bancos internacionais, que se estimava seria muito maior, não fosse a instabilidade externa. Slemer diz que a crise atingiu também a atuação dos bancos como formadores de mercado. Essas figuras têm por função manter ofertas firmes de compra e venda de papéis no secundário, garantindo liquidez aos mesmos. Mas de forma geral, a percepção do executivo é positiva. Ele diz que a crise não chegou a provocar queda nos volumes negociados. Ao contrário, ele nota que há crescente participação das fundações e das assets nesse mercado. Segundo Slemer, embora a presença das fundações ainda seja tímida, porque não podem operar no mercado de balcão, estas instituições já aparecem nas plataformas eletrônicas para trocar posições ou adquirir papéis novos. Nesse sentido, diz Slemer, todas as corretoras trabalham para levar informações às fundações sobre possibilidades de obterem ganho efetivo com a troca de suas carteiras no mercado secundário. As assets, que normalmente carregavam as debêntures em suas carteiras até o vencimento, agora cotam preços, participam dos calls (conferência telefônica para apresentação de intenção de compra e venda das debêntures) feitos pelas corretoras e negociam, diz. Não de modo relevante, como se esperava, mas se preparam para o momento em que não puderem mais conviver com o baixo retorno oferecido por outros títulos e tiverem de aumentar a fatia do crédito privado em suas carteiras. O superintendente-executivo de Mercado de Crédito do Banco Santander, Ignacio Lorenzo, estima uma expansão no volume negociado de 30% a 40% este ano, "o que é significativo, embora inferior ao crescimento de 100% de 2010 para 2011". Segundo ele, como o volume negociado hoje representa 10% do estoque de debêntures, é muito difícil dobrá-lo ano a ano. De acordo com a Cetip, o estoque de debêntures está atualmente em R$ 443 bilhões. Para Lorenzo, entre os desafios que o mercado tem no seu atual processo de desenvolvimento está aumentar o número de vendedores e também o número de papéis negociados. Em 2011, 60% dos negócios foram feitos apenas com 20 emissões de debêntures. Isso acontece porque o investidor, nesse mercado novo e de maior risco do que o de títulos públicos, opta por papéis de empresas mais conhecidas e de menor risco de crédito. Lorenzo acredita que o formador de mercado tem função importante, portanto, tanto para ampliar a base de papéis oferecidos como de vendedores. "A figura do market maker (formador de mercado) é muito positiva e estimula a movimentação do mercado secundário", diz. O Santander, o Banco BTG Pactual, o Bradesco BBI e o Banco Votorantim estão entre as instituições que atuam como formador de mercado. O executivo do Santander considera saudável a intenção da Cetip de criar um sistema para aluguel de papéis para a função do formador de mercado, porque normalmente há poucas debêntures disponíveis. Na maioria dos casos, na emissão primária os grandes bancos, as assets ficam com a maior parte das debêntures.
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