|
Apesar das tentativas de se criar mecanismos para viabilizar a liquidez no mercado secundário de renda fixa corporativa, a grande dificuldade está na falta de vendedores de papéis. "Não há nada que faça o mercado decolar enquanto não houver vendedores", disse o diretor da Anbima, Marcio Guedes. Segundo ele, essa é a grande diferença na história do mercado de dívida corporativa brasileira e do mercado norte-americano, onde desde o princípio haviam compradores e vendedores. No Brasil, há compradores, mas não há vendedores, porque os investidores gostam de carregar a rentabilidade do papel, que normalmente é maior por ser um título de longo prazo. Durante a 14º Encontro Nacional de Relações com Investidores e Mercado de Capitais, que acontece hoje e amanhã em São Paulo, Guedes observou que embora o estoque das debêntures tenha crescido, ainda representa apenas 13% do total do estoque de títulos de renda fixa. Os Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) lideram em preferência, mostrando a inclinação dos investidores pelos indexadores pós fixados. "Temos o desafio de mudar esse quadro, já que é difícil realizar investimentos de longo prazo à taxas de juro diárias", disse. Nesse sentido, ele considera que a presença do investidor estrangeiro no mercado de renda fixa ajudará a mudar o perfil da dívida das empresas, porque normalmente opta por títulos com remuneração pré-fixada. Guedes considera que o mercado está evoluindo e que as mudanças são culturais e graduais.
|
|